Poucas cidades no mundo tiveram uma trajetória política tão longa e variada quanto Roma: monarquia, república, império, capital religiosa e, só muito mais tarde, capital de um Estado-nação moderno.

O perfil geral da cidade está em nosso artigo completo sobre Roma; aqui, o foco é essa longa sucessão de fases políticas que moldou a "Cidade Eterna".

Monarquia, república e império

A história política de Roma costuma ser dividida em três grandes fases. A Monarquia (753 a.C.–509 a.C.) corresponde ao período que se inicia com a fundação lendária da cidade e vai até a expulsão do último rei. A República (509 a.C.–27 a.C.) é marcada pelo governo de um sistema oligárquico, com o poder dividido entre magistrados e o Senado, período em que Roma expandiu seu domínio pela península Itálica e pelo Mediterrâneo.

A terceira fase, o Império (27 a.C.–476 d.C.), começa com a ascensão de Augusto ao poder e corresponde ao período de maior expansão territorial romana, quando o domínio da cidade chegou a cobrir boa parte da Europa Ocidental, o Norte da África e o Oriente Médio.

A queda do Império Romano do Ocidente

Em 476 d.C., o último imperador do Império Romano do Ocidente, Rômulo Augusto, foi deposto pelas tropas bárbaras lideradas por Odoacro. Esse episódio é considerado pelos historiadores um marco divisório entre a Antiguidade e a Idade Média — o fim de um dos maiores impérios da história ocidental.

Apesar da queda política, boa parte do legado arquitetônico e cultural da Roma Antiga permaneceu visível na cidade, hoje detalhado em nosso guia sobre a arquitetura de Roma.

Roma medieval e o papado

O cristianismo triunfou em Roma já no século 4, e a cidade se tornou sede do papado. Com a transferência da capital do Império Romano para Constantinopla, no Oriente, e a posterior fragmentação política do Ocidente, o papa foi gradualmente ganhando poder até se tornar a principal autoridade da cidade.

Durante toda a Idade Média, Roma manteve parte de sua antiga importância simbólica, mesmo com uma população bastante reduzida em relação ao auge do período imperial. A cidade seguiu como centro religioso do cristianismo ocidental por mais de um milênio, papel que mantém até hoje através do Vaticano, detalhado em nosso perfil da cidade.

De cidade papal a capital da Itália

Um dos fatos menos conhecidos sobre Roma é que ela só se tornou capital de um Estado italiano unificado relativamente tarde: em 1870, quando foi anexada ao Reino da Itália, encerrando séculos de domínio temporal direto dos papas sobre a cidade. A transferência oficial da capital italiana, então em Florença, para Roma, aconteceu em 1871.

Nessa época, Roma era uma cidade modesta em comparação com outras capitais europeias — um contraste notável com seu peso histórico e simbólico. A partir daí, a cidade viveu um novo ciclo de crescimento urbano como capital do Estado italiano moderno, papel que mantém até os dias de hoje.

Perguntas frequentes

Quais foram as três fases da Roma Antiga?

Monarquia (753 a.C.–509 a.C.), República (509 a.C.–27 a.C.) e Império (27 a.C.–476 d.C.), quando a cidade passou de reino a república oligárquica e, depois, a um dos maiores impérios da história.

Quando o Império Romano do Ocidente caiu?

Em 476 d.C., quando o último imperador, Rômulo Augusto, foi deposto pelas tropas bárbaras lideradas por Odoacro — um marco tradicionalmente usado para separar a Antiguidade da Idade Média.

Desde quando Roma é sede do papado?

O cristianismo se consolidou em Roma no século 4, e a cidade se tornou progressivamente o centro religioso do catolicismo, papel que mantém até hoje através do Vaticano.

Quando Roma se tornou capital da Itália?

Roma foi anexada ao Reino da Itália em 1870, e a capital foi oficialmente transferida de Florença para Roma em 1871.

Conclusão

A trajetória de Roma é marcada por uma sucessão incomum de papéis políticos: capital de um império antigo, centro religioso medieval e, só no século 19, capital de um Estado-nação moderno. Essa sobreposição de fases históricas é o que torna a cidade um caso único de continuidade urbana no mundo ocidental.

Fontes